Os cegos e o elefante
- Luciana Vanini

- há 11 minutos
- 2 min de leitura
Em tempos antigos, um rei ordenou a um certo homem: “Venha, reúna num só lugar todos os homens de Sāvatthi que nasceram cegos.” E o homem fez isso. Tendo reunido todos os cegos, ele os levou à presença do rei.
Então o rei disse: “Agora mostre aos homens cegos um elefante.”
E o homem fez conforme foi ordenado. Ele disse a cada um dos cegos: “Isto, ó homens cegos, é o que um elefante é.”
A alguns ele deixou sentir a cabeça do elefante, dizendo: “Isto é o elefante.”
A outros ele deixou sentir as orelhas, dizendo: “Isto é o elefante.”
A outros ele deixou sentir as presas…
A outros sentir o tronco…
A outros o corpo…
A outros as pernas…
A outros as costas…
A outros a cauda…
E assim por diante, a cada um dos cegos ele disse: “Isto é o que um elefante é.”
Depois, o rei se aproximou dos cegos e perguntou: “Homens cegos, vocês sentiram o elefante?”
E responderam: “Sim, já sentimos o elefante.”
Então o rei perguntou: “Dizei-me, homens cegos, como é um elefante?”
Aquele que sentira a cabeça disse: “Majestade, o elefante é como um pote.”
Aquele que sentira as orelhas disse: “Um elefante é como um cesto de peneirar.”
Aquele que sentira a presa disse: “Um elefante é como um arado.”
Aquele que sentira o tronco disse: “Um elefante é como um cabo de arado.”
Aquele que sentira o corpo disse: “Um elefante é como um celeiro.”
Aquele que sentira as pernas disse: “Um elefante é como pilares.”
Aquele que sentira as costas disse: “Um elefante é como um pilão.”
Aquele que sentira a cauda disse: “Um elefante é como um pestelo ou vassoura.”
Então os cegos começaram a discutir uns com os outros, dizendo: “Isto é o elefante!” “Não, aquilo não é o elefante!” “O elefante é assim!” “O elefante é de outro modo!”
E eles brigavam entre si com os punhos.
O rei ficou entretido com o espetáculo.
Esta parábola é parte de um dos textos mais antigos do cânone budista usada para mostrar os perigos de se apegar a visões parciais e de discutir sem compreender a totalidade da realidade.
Texto inspirado na tradução do Tittha Sutta, Udāna 6.4 — parte do Pāli Canon budista)




Comentários